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Fechamento de trimestre: o que conferir antes de virar o mês

Banner do Observatório de Gestão com o título “Fechamento de trimestre: a lista curta” sobre fundo azul-escuro

Trimestre é a unidade de tempo mais útil da administração municipal. É curto o suficiente para que a equipe lembre do que aconteceu e longo o suficiente para que padrões apareçam. Mesmo assim, poucas prefeituras fazem um fechamento organizado a cada três meses.

O custo dessa ausência aparece devagar: pendência que se arrasta, prazo que ninguém viu passar, instrumento parado há meses sem que alguém tenha notado.

O que fechar não significa

Fechamento de trimestre não é elaborar relatório grande nem convocar reunião de duas horas. É percorrer uma lista de conferência, registrar o que está fora do lugar e distribuir as correções. Meia manhã, com três ou quatro pessoas.

A lista — regularidade

  • Situação de cada item de regularidade do ente no último dia do trimestre, com extrato salvo.
  • Data de vencimento de todas as certidões, conferida uma a uma.
  • Envio das informações contábeis e fiscais dos períodos encerrados no trimestre.
  • Publicação dos relatórios fiscais devidos no período, com prova de publicação guardada.
  • Situação previdenciária, quando há regime próprio.

A lista — convênios e instrumentos

  • Lista completa dos instrumentos vigentes, com percentual de execução física e financeira.
  • Instrumentos com vigência encerrando nos próximos noventa dias, com decisão sobre prorrogação ou encerramento.
  • Prestações de contas com prazo vencendo no trimestre seguinte.
  • Diligências recebidas e não respondidas, com prazo de cada uma.
  • Instrumentos sem movimentação no trimestre, com o motivo registrado.
  • Saldos em conta específica e situação da aplicação financeira.

A lista — captação

  • Propostas apresentadas no trimestre e situação de cada uma.
  • Propostas devolvidas, com o motivo. Padrão de devolução repetido indica problema de processo, não de sorte.
  • Oportunidades perdidas por prazo ou por falta de requisito, com o motivo anotado.
  • Emendas indicadas, com a situação de cada uma no percurso até a liberação.
  • Projetos do banco que mudaram de status.

A lista — execução

  • Obras em andamento com atraso relevante e o motivo.
  • Contratos vinculados a instrumentos com vigência menor que a do próprio instrumento.
  • Pagamentos pendentes que podem gerar problema na prestação de contas.
  • Bens adquiridos com recurso de convênio e sua situação patrimonial.

Quem faz o quê

A conferência falha quando cai toda em um setor. A distribuição que costuma funcionar:

  1. Setor de convênios consolida a lista de instrumentos, propostas e prazos.
  2. Contabilidade responde por regularidade contábil, envios, publicações e saldos.
  3. Controle interno confere se o que foi declarado corresponde ao que existe, por amostragem.
  4. Secretarias executoras informam execução física e problemas de campo.
  5. Gabinete decide sobre o que exige escolha: prorrogar, encerrar, priorizar, desistir.

Cada um entrega sua parte por escrito, em uma página, dois dias antes da reunião. A reunião é para decidir, não para levantar informação.

Como não transformar isso em burocracia

A lista acima parece longa porque está escrita por extenso, mas na prática cada item se resolve consultando um registro que já deveria existir. Se a conferência de um trimestre leva mais do que uma manhã, o problema não está no fechamento: está no controle do dia a dia, que não guarda a informação em lugar recuperável. Nesse caso, o próprio fechamento serve de diagnóstico — anote o que foi difícil de encontrar e corrija a origem antes do trimestre seguinte.

Fechamento não é auditoria. É a conferência que impede a auditoria de encontrar surpresa.

O produto

Ao final, dois documentos. O primeiro é a lista de pendências com responsável e prazo, que vira a pauta das reuniões semanais do trimestre seguinte. O segundo é uma página de posição para o gabinete: quantos instrumentos em execução, quanto foi liberado no trimestre, qual a situação de regularidade e quais as três decisões pendentes.

Enviar essa página sempre no mesmo formato, quatro vezes por ano, muda a relação do setor técnico com a gestão. Depois de dois ou três ciclos, o gabinete passa a esperar o documento — e a cobrar quando ele atrasa.

O trimestre que termina em setembro

Vale um comentário sobre este em particular. O terceiro trimestre é o último com folga real de calendário. A partir de outubro, o município entra na sequência de encerramento do exercício: empenho, restos a pagar, fechamento contábil, prestação de contas anual.

Pendência que atravessa setembro tende a atravessar o ano. Por isso o fechamento deste trimestre merece um cuidado extra: é a última oportunidade de resolver com tempo o que, dois meses depois, será resolvido com pressa.

Prazos e instrumentos organizados o trimestre todo. O Observatório de Gestão acompanha a carteira do ente, os prazos e a regularidade fiscal. Conheça a plataforma ou veja os planos.